Juros futuros sobem com otimismo sobre recuperação da atividade econômica

No fim da sessão regular desta segunda, a taxa do DI para janeiro de 2021 subiu de 4,70% para 4,73% e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,52% para 6,55%.

 

Sinais de aceleração da atividade econômica no Brasil, com as vendas fortes da Black Friday e a indústria em expansão, deram apoio aos juros futuros, que encerraram o pregão regular desta segunda-feira em alta, contrariando o recuo do dólar em relação ao real. O dia, porém, foi de liquidez reduzida nos negócios, com os investidores à espera de uma

agenda pesada de indicadores econômicos no país e de olho, ainda, em comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

No fim da sessão regular de hoje, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subiu de 4,70%, no ajuste anterior, para 4,73%; a do DI para janeiro de 2022 avançou de 5,35% para 5,42%; a do contrato para janeiro de 2023 foi de 5,89% para 5,94% e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,52% para 6,55%.

Os resultados da Black Friday no Brasil e o índice de gerentes de compras (PMI) do setor industrial brasileiro, que subiu de 52,2 pontos em outubro para 52,9 no mês passado, de acordo com a IHS Markit, foram alguns dos sinais que indicam uma aceleração da atividade econômica às vésperas da divulgação, nesta terça (3), do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre.

Ao Valor, representantes de Magazine Luiza e Via Varejo afirmaram que o desempenho do varejo sinaliza um início mais consistente da recuperação da economia.

“É encorajador ver o setor industrial do Brasil se mantendo forte em novembro. Impulsionados pela recuperação na quantidade de novos pedidos provenientes do mercado interno, que foi melhor do que a observada no mês passado,

os produtores de mercadorias aumentaram a produção da maneira mais significativa em quase um ano e meio”, afirma a economista Pollyanna de Lima, da IHS Markit.

Estrategista-chefe da CA-Indosuez Brasil, Vladimir Caramaschi nota que “há uma percepção mais otimista em relação à economia no curto prazo”, o que dá mais tranquilidade ao câmbio. De acordo com ele, apesar das pressões no mercado de câmbio, “a minha leitura é de que elas não foram suficientemente preocupantes para fazer o Banco Central não entregar o corte de 0,50 ponto percentual que foi sinalizado no comunicado e na ata”.

Para Caramaschi, “talvez, se o BC não tivesse sido tão enfático, poderia haver discussão relevante no Comitê de Política Monetária (Copom) para entregar somente um corte de 0,25 ponto e ir mais devagar. No entanto, como ele foi relativamente explícito, seria um custo alto de credibilidade”. O estrategista da CA-Indosuez acredita que a discussão em torno do ciclo de afrouxamento está em uma Selic terminal de 4,50% ou de 4,25%, cuja discussão, segundo ele, será determinada pelo comportamento do câmbio.

Na manhã desta segunda, em evento promovido pelo Bank of America Merrill Lynch, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, voltou a sinalizar que a Selic atingirá 4,50% na próxima semana. Já durante a tarde, na Febraban, o dirigente afirmou que o juro brasileiro mais baixo deixa o país menos atrativo no curto prazo, mas aumenta a oportunidade de investimentos na atividade real. Para ele, isso faz parte do processo de desenvolvimento, quando a economia começa a sair da “armadilha da renda média”.

Efeito Trump

Já a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor novamente tarifas ao aço e ao alumínio do Brasil foi vista pelos investidores como um ato que não deve ter grande impacto no âmbito macroeconômico. “A ação acaba ficando mais restrita ao setor em si, e não à economia como um todo”, disse Luis Laudisio, trader da Renascença DTVM.

A semana, aliás, está repleta de indicadores de peso: na manhã desta terça será divulgado o PIB do terceiro trimestre; na quinta-feira (5), será a vez da produção industrial de outubro; e, fechando a semana, na sexta-feira, o IPCA de novembro.

 

Fonte: https://valor.globo.com/financas/noticia/2019/12/02/juros-futuros-sobem-com-otimismo-sobre-recuperacao-da-atividade-economica.ghtml

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