Dólar tem maior desvalorização semanal do ano.

No encerramento dos negócios nesta sexta-feira (25), a moeda americana cedeu 0,90%, cotada a R$ 4,0079, o menor valor de fechamento desde 16 de agosto

Uma conjunção de fatores externos e internos, capitaneada pela conclusão da aprovação da reforma da Previdência no Congresso, deu força ao real e fez o dólar ter a maior desvalorização semanal em relação à moeda brasileira de 2019.

 

No encerramento dos negócios nesta sexta-feira (25), a moeda americana cedeu 0,90%, cotada a R$ 4,0079, o menor valor de fechamento desde 16 de agosto. Com isso, o dólar acumula queda de 2,69% na semana, a maior desde os 4,08% registrados na última semana de 2018.

 

Além da Previdência, aprovada na quarta-feira (23), o mercado de câmbio local também se aproveitou da proximidade com o megaleilão da cessão onerosa, que promete trazer grande volume de dólares ao país nos próximos meses, e de certa calmaria no exterior, após o anúncio de um pré-acordo entre Estados Unidos e China e a perspectiva de que o Brexit não será feito de forma desordenada.

 

Apesar da forte queda, o dólar não angariou forças para romper definitivamente o patamar psicológico dos R$ 4,00, apesar de ter operado brevemente abaixo dele, duas vezes esta semana.

 

“Os R$ 4,00 claramente se mostram um nível importante”, avalia Luciano Rostagno, estrategista-chefe de câmbio do banco Mizuho no Brasil. O analista acredita, no entanto, que a entrada de dólares com a cessão onerosa e a perspectiva de que a agenda de reformas deve continuar a progredir — apesar dos ruídos causados pelo racha do PSL —, devem permitir que o câmbio opere abaixo desse nível daqui até o fim do ano.

 

Na próxima semana, por outro lado, essa perspectiva pode ser testada por alguns fatores. Um deles é a força do dólar globalmente. A moeda americana se enfraqueceu em nível global recentemente, influenciada, entre outros fatores, pelo acordo EUA-China e pela perspectiva de desfecho positivo do Brexit. Estes mesmos motivos, no entanto, podem levar o Federal Reserve (Fed, o BC americano), que se reúne entre terça (29) e quarta-feira (30), a entender que o clima de incerteza mundial retrocedeu e que, por isso, não é necessário conceder um novo corte “de precaução” em dezembro, avalia o Société Générale.

 

“Este cenário dá a Jerome Powell, presidente do Fed, a oportunidade de conceder um corte mais favorável ao aperto monetário, na semana que vem, e possivelmente indicar uma pausa no ritmo de afrouxamento monetário”, diz o banco francês em relatório.

 

Um possível outro fator de risco é a eleição na Argentina, cujo primeiro turno acontece neste domingo (27), com expectativa de vitória do oposicionista Alberto Fernández. Para Rostagno, do Mizuho, a vitória do candidato kirchnerista está precificada e não deve impactar o humor do investidor em relação ao Brasil. Mais importante que o resultado, no entanto, será acompanhar o tom que Fernández – defensor de uma abordagem mais heterodoxa para a economia – adotará em seus primeiros pronunciamentos. “A minha expectativa é que, num primeiro momento, ele adote um tom mais moderado para evitar estresse nos mercados”, disse o estrategista-chefe de câmbio do banco Mizuho no Brasil.

 

Fonte: https://valor.globo.com/financas/noticia/2019/10/25/dolar-tem-maior-desvalorizacao-semanal-do-ano.ghtml

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